Ando olhando
algumas manifestações recentes nas redes sociais sobre a política da nossa
cidade e confesso: a preocupação que já era grande começa a virar tristeza.
Não pela
divergência, porque a divergência é
parte da política. Sempre foi. O problema é quando o debate deixa de ser debate
e vira espetáculo. Quando a verdade perde espaço para o factoide. Quando a
responsabilidade pública é trocada pela vontade de “lacrar”.
E aí eu me
pergunto: é isso mesmo que querem oferecer à cidade?
Vejo algumas
figuras que desejam se apresentar como novas referências de ética, seriedade e
compromisso com o futuro. Isso, em si, é algo bom. Toda geração tem o direito —
e até o dever — de querer renovar a política. Mas quem pretende ocupar esse
lugar precisa entender que a primeira exigência da política com P maiúsculo é o compromisso com os fatos.
Não com
versões convenientes.
Não com narrativas fabricadas.
Não com reproduções apressadas de fake news ou insinuações maliciosas.
Antes de
transformar as redes sociais em palanque de acusações, o mínimo que se espera
de quem quer ser respeitado na vida pública é responsabilidade com a verdade.
Porque
política séria não se faz com ironia barata, com gracejos jocosos ou com frases
feitas para ganhar curtidas. Política séria exige estudo, exige memória, exige
humildade diante da história da cidade e das pessoas que a construíram.
Outro dia me
peguei lembrando de Byron Sarinho. Um homem público que aprendi a admirar pela
qualidade do pensamento e pela seriedade na gestão e no parlamento. Depois de
sua última eleição, ele escreveu que havia se tornado “incompatível” com certo
tipo de eleitor e de cobrança política. Na época, confesso, não compreendi
totalmente o que ele queria dizer.
Hoje
compreendo.
E vou além:
às vezes parece que também estamos ficando incompatíveis com esse tipo de
debate raso, contaminado por interesses pessoais travestidos de moralidade
pública.
O que
entristece mais é perceber que muitas dessas discussões partem justamente de
jovens que estão começando na política local. Poderiam estar dedicando esse
tempo a estudar, compreender a cidade, conhecer sua história, suas contradições
e suas potencialidades.
Mas preferem,
muitas vezes, o atalho da superficialidade.
Sem qualquer
pretensão de dar lição a ninguém (embora talvez seja preciso dizer algumas
verdades) deixo um conselho simples: antes de querer ensinar política à cidade,
estudem política. Leiam. Conheçam as ideologias, as concepções de mundo, os
processos históricos. Entendam como a cidade chegou até aqui.
Façam
política com autenticidade.
Com respeito.
Com verdade.
A política já
tem barulho demais e conteúdo de menos. O que nossa cidade precisa não são de
novos protagonistas do jogo eleitoreiro, mas de pessoas preparadas para o
debate público e comprometidas com a lógica da coletividade.
Se o objetivo
for apenas lacrar, talvez ganhem alguns aplausos momentâneos nas redes.
Mas se o
objetivo for ser realmente respeitado na vida pública, o caminho é outro: mais
estudo, mais responsabilidade e muito mais compromisso com a verdade.
Porque, no
fim das contas, a política - a verdadeira - é coisa séria demais para caber em
frases vazias de internet.
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