A vida da gente é breve. Breve demais para o tanto de histórias que cabem dentro dela.
A gente vai vivendo no automático, correndo entre compromissos, responsabilidades e preocupações, sem perceber que a vida acontece justamente nos momentos mais simples.
Hoje completam-se três anos do último aniversário de meu pai.
Saí do trabalho para almoçar com ele em sua casa. Ele pediu uma buchada. Só nós dois comemos. Dividimos algumas cervejas, dei um abraço, um beijo, desejei feliz aniversário e voltei para o trabalho.
Era apenas um almoço comum.
Mas não era.
Foi a última vez que comemorei o aniversário dele.
Se eu soubesse, teria ficado mais. Teria ouvido mais histórias, prolongado a conversa, dividido mais uma cerveja. Mas a vida não avisa quando um momento simples vai se transformar em lembrança para sempre.
A correria não apenas nos afasta das pessoas. Ela nos impede de enxergar o valor dos pequenos encontros, daqueles instantes que parecem comuns, mas que um dia se tornam saudade.
Hoje, quando lembro daquele almoço, penso que a felicidade estava ali, sentada à mesa, entre uma garfada de buchada e uma conversa qualquer.
E eu, como quase todo mundo, não sabia que estava vivendo uma memória.

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