Levantar a cabeça

Há derrotas que a gente precisa de alguns dias para entender. Não para aceitar, necessariamente, mas para maturar. Foi assim comigo depois do resultado eleitoral. Tirei uns dias para olhar com mais calma para o que aconteceu na minha cidade, em Pernambuco e no Brasil.

Entre tantas avaliações, uma conversa com minha filha Lavínia ficou ecoando dentro de mim.

Ela estava triste. Muito triste. Falava da desesperança, do desgosto, da dificuldade de acreditar que o ódio pudesse estar à frente de um projeto em que ainda depositava esperança.

E eu entendi que aquela tristeza também era uma forma de resistência.

Disse a ela que, infelizmente, nossa sociedade está atravessada por uma onda conservadora forte. Que a gente fica triste, decepcionado, até sem entender. Mas que havia algo bonito naquela dor: ainda nos importávamos.

Que bom que a gente se indigna. Que bom que ainda dói ver o ódio avançar. Pior seria olhar para tudo isso com indiferença.

Porque a indignação não pode ser o ponto final.

Precisamos transformar a tristeza em coragem, a decepção em aprendizado, o silêncio em conversa e a derrota em disposição para continuar.

Talvez seja essa a grande tarefa dos próximos dias: maturar o sentimento, levantar a cabeça e voltar para a luta.

Não porque seja fácil. Mas porque ainda acreditamos.

E enquanto houver alguém disposto a defender a democracia, a justiça, a solidariedade e a esperança, a história ainda não terminou.

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