Uma escolha que vai além das nossas diferenças

Aos amigos e familiares,

Ao longo da vida, aprendemos que ninguém pensa igual em tudo. Temos opiniões diferentes, histórias diferentes e formas distintas de enxergar o mundo. E talvez seja justamente isso que nos ensine o valor do respeito e da convivência.

Por isso, decidi escrever pra vocês. Com carinho e sinceridade.

Estamos diante de uma escolha importante para o Brasil. E acredito que este seja um momento de olhar além das nossas mágoas, das críticas acumuladas e das divergências políticas que tantas vezes nos afastaram uns dos outros.

Sei que muitos têm reservas em relação ao PT e a Lula. Eu mesmo não deixo de reconhecer erros, limitações e motivos para críticas. Mas também acredito que chega uma hora em que precisamos nos perguntar o que é mais importante: nossas diferenças ou o compromisso com a democracia, com o diálogo e com o futuro do país.

Não se trata de pedir que alguém abandone suas convicções. Muito menos de exigir concordância. Trata-se apenas de olhar para a trajetória, para os fatos, para o legado e para aquilo que cada um representa para o Brasil de amanhã.

Há anos venho manifestando preocupação com o crescimento do ódio, da intolerância e da incapacidade de ouvir quem pensa diferente. E continuo acreditando que nenhum país se torna melhor quando seus cidadãos passam a se enxergar como inimigos.

Por isso, deixo um convite simples: que possamos refletir sem raiva, conversar sem agressividade e escolher sem medo. Que a razão fale mais alto que o ressentimento e que o amor ao Brasil seja maior do que qualquer preferência partidária.

No final, as eleições passam. Os governantes passam. Mas o país permanece. E é nele que nossos filhos, netos e todos nós continuaremos construindo nossas vidas.

É por fazer essa conta, com os pés no chão e sem paixão cega, que hoje defendo o voto em Lula. Não por concordar com tudo, mas por entender o que está em jogo. É infinitamente melhor garantir o direito de continuar criticando um governo amanhã do que correr o risco de perder a própria liberdade de discordar. A democracia não é uma herança garantida para sempre; ela precisa de quem a defenda todos os dias.

Que façamos nossa escolha pensando no Brasil que queremos deixar para as próximas gerações.

Com respeito, amizade e esperança.

 

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